domingo, 8 de novembro de 2015
por Rafael Libaneo

A exatos cinco anos, uma crime motivado por homofobia chocou a comunidade por sua frieza. A “lampadada” da Av. Paulista ficou famosa e foi noticiada em vários meios de comunicação, mostrando que a falta de segurança é grande. O que choca ainda mais, é a falta de uma legislação que culpabilise a homofobia. Na constituição brasileira, a homofobia não é colocada como uma forma de crime, apenas como uma discriminação, mas crime de homofobia não existe. Não existe e para alguns, não deve existir. Para o debutado Jair Bolsonaro, conhecido por destilar seu ódio contra a comunidade LGBT, a homofobia não deve ser crime pois isso seria dar privilégio a gays, lésbicas, travestis e transsexuais. A PL 122, que seria o projeto de lei que colocaria a homofobia como crime no foi para frente pois a bancada conservadora, composta por ruralistas, religiosos e militares, mais conhecida como bancada BBB (boi, bala e bíblica), foi totalmente contra, contribuindo para o arquivamento do projeto. Os conservadores chamaram a PL de “Lei dos Privilégios”, alegando que heterossexuais também sofrem discriminação, são assassinados e sofrem com a violência do mesmo jeito que a comunidade LGBT também sofre. Mas a pergunta é, quem bate em outra pessoa pelo fato dela ser heterossexual? Em que medida, ser heterossexual te coloca nas margens da sociedade? quando, ser heterossexual, te tira a oportunidade de emprego? quantos heterossexuais tem medo de sair na rua segurando a mão da pessoa que ama? Não existe estatística para essas informações, sabe por quê? Pois não existe preconceito contra heterossexuais. Simples assim.
A lâmpadada na Av. Paulista chocou bastante, tanto pelo crime em si, como pela frieza do agressor, que não pensou duas vezes antes de atacar um grupo de amigos que caminhava pela calçada. O video ta aqui: 


O indivíduo que atacou o jovem com a lâmpada foi condenado, cinco anos depois, a 9 anos de prisão, mas continua foragido. 

Mas e aí, quantas mortes LGBT o arquivamento da PL 122 causou? 
Segundo o Grupo Gay da Bahia, o mais antigo do Brasil, “Em 2013 foram contabilizados 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, travestis, lésbicas e transexuais brasileiros vítimas de homofobia e transfobia”. Os casos de suicídio crescem constantemente por causa do bullying sofrido diariamente, e o que mais impressiona é a idade; as pessoas que mais sofrem esse bullying sao jovens e crianças, entre 13 a 19 anos, que chegam a um estresse tao grande, que para eles, a única saída é por fim à sua própria vida. 

As políticas públicas LGBT andam lentamente. Devagar e sempre se segue, criando novos ambientes, respeito e desenvolvimento social. 
Um dos maiores problemas que as políticas LGBT não tem tanto como cobrir, é a criação de guetos. É muito comum saber sobre bairros, baladas e bares ditos "gays". Muitas das vezes, esses lugares viram pontos de ataques homofóbicos, mas no fim das contas, não existe como prever tais ataques, o que acaba deixando tudo mais complicado.
Mas pra que proteger toda essa comunidade? 
Protege-los é dar privilégios. 

FONTE:

A BANCADA BBB domina o congresso 

http://www.cartacapital.com.br/revista/844/bbb-no-congresso-1092.html

A LEI dos privilégios 

http://rachelsheherazade.blogspot.com.br/2015/01/a-lei-dos-privilegios.html

HOMOFOBIA

http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1039&Itemid=262

POLÍTICAS LGBT

http://www.jusbrasil.com.br/topicos/27467512/politicas-publicas-lgbt


Por Bárbara Martins






No dia 31 de outubro, Karina Moreno, estudante de Medicina Veterinária em Campinas, fez uma publicação em sua rede social onde, de maneira bem ignorante, exibia e comentava sobre a foto de uma mulher amamentando a filha enquanto andava de bicicleta. No conteúdo desse post ela usou frases do tipo: "POBRE FAZENDO POBRICE! Vai em um bairro nobre, ou em um restaurante fino pra vc ver se encontra mulher com o peito pra fora?! Kkkk (...) JAMAIS! Elas levam mamadeira! Como eu fazia! Ou no mínimo colocam uma fraldinha pra tapar o peito! Isso se chama BOM SENSO!". Gente, é sério isso? Eu realmente não consigo saber em qual parte eu fico mais chocada, se é o preconceito explícito por uma classe social diferente da dela ou se é pela vergonha que ela tem do próprio corpo e acha que todas devem ter também em sinal de um determinado "bom senso". Karina, Karina.. Somos todos mamíferos. Amamentar é nada mais nada menos que um ato natural que transcende a sua ignorância. O chique é ser livre! Isso sim é lindo! E pobre é você ter esse tipo de perturbação, mas enfim.. Como se já não bastasse, ela ainda falou: "Eu nunca amamentei meu filho e ele é lindo e saudável! O NAN hj em dia é completamente igual ao leite materno em questão de nutrição!" Oi?!?! Poxa, amiga, assim não dá pra te ajudar. Você, como uma estudante de medicina veterinária, deveria saber os benefícios da amamentação e saber que nenhum alimento artificial consegue substituí-lo. Tanto que, em prol dessa ideia, o Governo Federal restringiu a publicidade de produtos que interferem na amamentação, como, por exemplo, mamadeiras, chupetas e leites artificiais (isso mesmo, o seu tão querido NAN). A Lei nº 11.265 foi divulgada pelo Ministério da Saúde acompanhada da nota: "Queremos assegurar que todas as crianças sejam amamentadas sempre que possível e orientar mães e pais sobre a importância do aleitamento para a saúde de seus filhos. Cerca de seis milhões de crianças são salvas em todo o mundo com o aumento das taxas de amamentação, segundo a Organização das Nações Unidas. Estamos salvando vidas ao orientas, proteger e incentivas o aleitamento materno". (PORTAL SAUDE, 2015)


Por Bruna Corrêa.
Feministas e o curioso caso da modinha que dura mais de século
 A minha rede social favorita é o Twitter. Lá, além de poder fazer um diário virtual da minha vida (ou xingar muito), posso acompanhar no meu feed os pensamentos das pessoas que eu escolhi seguir – diferentemente do Instagram, os constantes “segue de volta” não existem, ainda que também possua a opção de bloquear o seu perfil para indesejados. Totalmente sem pressão, o twitter se desviou da curva das tradicionais redes sociais e faz com que seus usuários tenham total liberdade para se expressar, de maneira geral – principalmente com o recurso de privacidade.
O Twitter permanece como o reduto da vontade própria na internet – como poucas pessoas conseguiram se adaptar a ele (principalmente pessoas mais velhas) seus usuários não precisam adicionar os membros da família, chefes e pessoas da faculdade que eles tem de aguentar diariamente no Facebook ou Instagram, por “educação”. Eu pertenço a esta parcela da sociedade e não quero ver nada que me desagrade nesta rede social, justamente porque já tenho isso nas outras. Por isso, sigo somente amigos e pessoas que eu sei que me divertem ou que são interessantes.
Pois bem, recentemente eu tive de sair da bolha que construí a minha volta a partir de uma conversa que tive com uma amiga no Twitter. Ela postou uma foto obviamente feminista e de legenda, colocou: “Nem é questão de ser feminista”. Daí pra frente rolou esta conversa: 



Na realidade, a discussão se estendeu muito, além disto. Tentei argumentar com ela, explicar o que era feminismo e tudo mais, e ela ofereceu alguns argumentos para não gostar do termo. Na verdade, ela estava confusa – era adepta do feminismo, mas não queria enxergar por pura ignorância; no sentido de que ela não sabe o que realmente significa e também não deseja saber. É uma coisa que acontece com uma frequência alarmante e senti a necessidade de separar os prints acima para esclarecer algumas dúvidas que pairam sobre o feminismo (A Nina Lavezzo fez um ótimo post explicando o termo, que pode ser conferido aqui.)

FEMINISTA POR MODINHA

“Modinha” é um termo usado para denominar certa coisa que subitamente ficou popular e atrai seguidores que gostam disto somente pelo fator da popularidade. O feminismo está ganhando forças recentemente, sem dúvidas. Com o tema da redação do ENEM, então, o assunto da violência doméstica foi imensamente comentado em todas as mídias e muitas pessoas pararam para pensar sobre o que toda a comoção significava. As feministas, portanto, foram ao facebook comemorar esta vitória e aparentemente incomodaram muitas pessoas. Falar que o feminismo está ganhando adeptos e popularidade é uma coisa, outra totalmente diferente é chama-lo de modinha. Primeiramente, não é algo passageiro – afinal, são mais de cem anos de luta – e é como dizer que ajudar o Médicos Sem Fronteiras ou lutar pelo direito à vida também são “modinhas”. O feminismo é um sinônimo para igualdade. Sempre foi.
Para ficar mais claro, um vídeo onde Emma Watson, embaixadora da ONU Mulheres, entrevista Malala Yousafzai, escritora do livro “Eu Sou Malala”. Nele, Malala se identifica como feminista e encoraja as pessoas a não terem medo desta palavra.

MULHER BABACA QUE GRITA QUE É FEMINISTA PARA HUMILHAR HOMEM

O feminismo, como dito, quer dizer “igualdade de gêneros”. O femismo, porém, alega a superioridade feminina perante a masculina. Portanto, nenhuma feminista tomaria a atitude ilustrada pela minha amiga, justamente porque não queremos humilhar homem algum. De toda forma, não consigo ver como um homem se sentiria humilhado por uma mulher que lhe conta que é feminista – “olha, sou feminista, tenho os mesmos direitos que você!” – isto não é humilhação, é a realidade. No entanto, é interessante notar que os homens foram sempre favorecidos e as mulheres, sempre humilhadas por sua condição mais “frágil”. Triste pensar que a nossa sociedade machista sempre culpabiliza a mulher perante o homem. 

A FAVOR DOS DIREITOS HUMANOS, MAS NÃO DO FEMINISMO

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…” (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, Preâmbulo, 1948).
Embora comum, a alegação de que “é favor dos Direitos Humanos, mas não do feminismo” é a mais falaciosa de todas. Como mostrado, no próprio preâmbulo da DUDH está explícito que a igualdade de direitos entre homens e mulheres é um direito humano fundamental, tão importante quanto o valor do ser humano. O feminismo é exatamente a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e falar que não acredita nisto é renegar a própria Declaração. Portanto, não há separação. O feminismo é um direito humano e não pode ser desassociado dos outros.


CARRILHO, Vinício. Femismo ou Feminismo? Gente de Opinião. 27-09-2015. Disponível em: http://www.gentedeopiniao.com.br/noticia/femismo-ou-feminismo/14350. Acesso em: 08/11/15
ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948. Disponível em: http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf Acesso em: 08/11/15
sábado, 7 de novembro de 2015

Há um tempo,  vi uma matéria que me causou grande indignação, principalmente pela maneira como o título estava escrito. Mas sempre esse assunto vem à tona, disfarçado de pequenos xingamentos ou leves críticas, e então, resolvi escrever. A revista CartaCapital escreveu sobre um episódio que ocorreu no programa Big Brother Brasil, da Globo, apresentado no começo do ano, com o título: “ BBB15: Talita obrigou Rafael a transar sem camisinha”.  A revista cita esse título de maneira irônica, evidenciando, que há outras pessoas com a mesma indignação que me inquieta.

Essa questão de métodos contraceptivos foi muito discutida após a repercussão desse assunto nas redes sociais, e está muito em pauta atualmente.
Mas em relação à reportagem, o que mais me intrigou foram os xingamentos feitos à Talita após o ocorrido. Inúmeros foram os comentários em redes sociais criticando-a como “vagabunda”, descuidada, mulher vulgar que fica tendo relações sexuais em rede nacional, irresponsável, e etc, enfim, xingamentos de todos os tipos. Claro, só a mulher tem que se cuidar, se dar ao respeito e se precaver, afinal, ela faz sexo sozinha, não é mesmo?



Não quero fazer aqui uma vitimização da mulher, de forma alguma. E muito menos quero dizer que a culpa de tudo é do homem. E nem da mulher. Se há relação consensual entre um casal, qualquer consequência dela será de plena responsabilidade dos dois envolvidos.

Se ambos estão fazendo a mesma coisa, juntos, por que a mulher é tratada como promíscua e o homem nem sequer é mencionado? E quando é, é de forma positiva, o vangloriando pela ação? O homem quando faz sexo sem camisinha desrespeita seu corpo tanto quanto uma mulher quando faz sem camisinha. Ambos estão exatamente na mesma situação. É preciso da aprovação dos dois para que o ato sexual ocorra.

É com essa mesma mentalidade, de que a culpa é só de um lado, que nascem questionamentos maiores, como por exemplo, a questão do aborto, pois na sociedade em que vivemos ainda há o julgamento de que, se uma mulher indesejavelmente engravida, a culpa é dela por não “ter se valorizado e se cuidado” e por " não ter fechado as pernas". Assunto esse que  merece super destaque, uma vez que dia 21/10/2015 a Comissão de Constituição e Justiça aprovou por ampla maioria um projeto de Lei de Eduardo Cunha, o qual estabelece leis específicas para quem induzir ou orientar gestantes ao aborto, e incluindo nisso uma maior dificuldade ao acesso à pílula do dia seguinte no sistema público, mesmo em casos de estupro e, nestas situações, há agora a exigência do corpo de delito para atendimentos no SUS (Sistema Único de Saúde).

 É por isso que há tantas brexas para atitudes de homens imaturos e negligentes que preferem ignorar e fingir que não foi o semêm dele que fecundou o ovário da mulher e gerou um bebê, tentando se enganar acreditando que não possui responsabilidade nenhuma sobre a gravidez. E consegue piorar quando todos simplesmente a julgam e nem sequer pensam em também responsabilizar o pai, MAS afinal, ele não está grávido né.
Sendo assim, me questionei o porque da produção do programa Big Brother Brasil 15 mandar um ginecologista ao programa para conversar com a participadora a sós. Por que não foi feita uma consulta com o casal, uma vez que o assunto em pauta eram métodos anticoncepcionais para as relações deles? O corpo é dela, quem decide se vai tomar ou não o remédio é ela, ok. Mas é um assunto que aflige às duas pessoas. Na hora de ser xingada sobre o fato de que ela deveria se proteger, a conversa foi só com ela. Mas, nesse âmbito, a conversa não deveria ser com os dois, já que foi uma irresponsabilidade das duas partes ao ignorarem os riscos?
São esses os riscos que, atualmente, crescem e se espalham como um gás que não podemos ver, só sentimos seus efeitos. Que podem ser vários, e sérios.

Segundo a Unaids – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids -, o número de pessoas vivendo com HIV/Aids cresceu de 30 milhões para 35,3 milhões entre 2001 e 2012. A agência da ONU mostrou que todos os anos, no Brasil, são notificados cerca de 3.500 novos casos de AIDS entre adolescentes e jovens de 12 a 24 anos (DATASUS/MS).
E, além disso, cerca de 56% dos casos estão concentrados na Região Sudeste. Em 2012, houve a notificação de 39.185 novas infecções. No total, nos últimos dez anos, a doença cresceu cerca de 2% no Brasil.

O último Boletim Epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde entre 2005 e 2012, “revela que a população entre 15 e 24 anos teve mais casos da doença, passando de 8,1 para 11,3 a cada 100 mil. A pesquisa também diz que homens e mulheres entre 24 e 49 anos são o grupo populacional mais infectado, apesar de a detecção de novos casos entre as mulheres jovens ter diminuído 12,2% nos últimos dez anos.” Porém, apesar disso, o número de casos entre os homens aumentou 67,8% – no caso, são eles quem mais infectam as mulheres. Enquanto isso, a previsão do estudo é de que outras 150 mil pessoas sejam portadoras do vírus e não saibam.
Mas, em controvérsia a esses dados, foi feita uma Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) que revelou “que os jovens estão recebendo mais informações sobre sexo e doenças sexualmente transmissíveis”. O estudo do Ministério da Saúde, feito em parceria com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apoio do Ministério da Educação, revela que 89,1% dos adolescentes receberam orientação sobre DST e AIDS e 82,9% informações de como evitar gravidez.


Há também dados do Ministério da Saúde que atestam que 94% dos brasileiros sabem o quão importante é usar preservativos, mas apenas 45% dos brasileiros em idade fértil realmente usam.
Se vivêssemos em uma sociedade completamente retrógrada, sem acesso a informações e sem conhecimento nenhum, seria justificável tomar atitudes sem saber suas possíveis consequências, mas, tendo em vista que temos conhecimento e acesso a todos os meios que precisamos para nos prevenir ( na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) foi retratado que 69,7% dos entrevistados também sabiam que era possível adquirir preservativos gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)) por que não os utilizamos?

Há quem diga que não gosta, que não quer interromper a relação “só” para isso, e há ainda muitos casos de quem fique sem jeito de dizer que quer usar quando o parceiro insiste em dizer que não há a hipótese de usar. Por que não usar a criatividade (sim, é possível e há várias maneiras) e achar meios alternativos para não tornar o uso dos preservativos, um fardo?

                                                                                                           Escrito por Luiza Torrezani.



Bibliografia

TALITA obrigou Rafael a transar sem camisinha. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/bbb-15-talita-obrigou-rafael-a-transar-sem-camisinha-1417.html

CAMÂRA aprova projeto que dificulta aborto legal e pune venda de abortivos. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1696664-camara-aprova-projeto-que-dificulta-aborto-legal-e-pune-venda-de-abortivos.shtml>


EDUCAÇÃO SEXUAL. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/profissional-e-gestor/vigilancia/noticias-vigilancia/7612-educacao-sexual-chega-a-90-dos-adolescentes

O BBB e a responsabilidade de evitar uma gravidez. Disponível em: http://blogueirasfeministas.com/2015/02/o-bbb-e-a-responsabilidade-de-evitar-uma-gravidez/

UNAIDS. http://www.unaids.org.br/acoes/jovens.asp

VÍRUS HPV. Disponível em: http://www.virushpv.com.br/novo/pordentro.php

BOLETIM Epidemiolófico: HIV, AIDS. Disponível em: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2013/55559/_p_boletim_2013_internet_pdf_p__51315.pdf
sexta-feira, 6 de novembro de 2015

"Vem chegando o verão, o calor no coração, essa magia colorida.."
Na verdade, vem chegando o verão, calor, e o que mais penso é: vou assar.
Muitas pessoas passam bem pelo período da menstruação, ficam poucos dias e só. Porém o mundo não é belo assim para todas. Há quem diga que o pior da menstruação, é o absorvente.
E se eu te falasse que pra tudo na vida dá-se um jeito, e que há uma solução e seus problemas acabaram? Já ouviu falar do coletor menstrual? Ele é essa copinho pequenininho feito de silicone:

Coletor204


Nós temos uma tendência (ou até mesmo uma pressão) a cuidarmos em excesso do corpo, a nos preocuparmos com o externo, e talvez nos esquecemos um pouco do nosso lado de dentro, esquecemos de conhecer e descobrir nossas partes sexuais, tentar compreender melhor nosso fluxo menstrual e talvez aprender a lidar melhor com ele, afinal, ele provavelmente vai te acompanhar por quase toda sua vida.

O ato de menstruar é um ato biologicamente natural, “não é natural seu sentido, sua significação, suas diversas explicações e os efeitos que esses sentidos têm sobre o corpo individual e social?” Quando ocorre a primeira menstruação de uma mulher, representa uma mudança no seu corpo, uma mudança no seu processo de desenvolvimento, e uma aptidão para abrigar uma nova vida dentro do seu corpo. Porém a maneira como esse processo será percebido irá variar de acordo com o âmbito no qual a mulher se encontra, dependendo do “complexo de valores culturais de determinada sociedade.” Cecília Sardenberg explica a situação tendo em vista que “os diferentes significados e condutas associadas a menstruar obedecem a lógicas culturalmente específicas, configurando o que aqui denomino de ordens prático-simbólicas da menstruação”. Ela afirma que, desde sempre, funções biológicas tiveram diversas funções, como associando o sêmen, a menstruação ou as relações sexuais à seres sobrenaturais, como por exemplo espíritos ancestrais ou deuses
Margaret Mead considerou que “suas observações antropológicas abrem a discussão sobre a incidência da cultura nos comportamentos das pessoas e mostram que os fenômenos relativos ao processo reprodutivo e, em particular, à menstruação podem ser objeto das mais diversas interpretações.”
Porém, há sempre pessoas que interpretam de forma  negativa essas representações. “O corpo feminino sangrando parece ser visto e mostrado como um objeto paradoxal, nefasto, um local em que se aproximam o profano, impuro, e o sagrado sem controle ou domínio. A regularização (via medicalização) do ciclo seria o meio de ‘dominar’ a mulher.”


Os absorventes internos sugam seu sangue, e obviamente ( é algo óbvio que nunca paramos para analisar) seus nutrientes e fluidos naturais, sem contar que nunca nos foi explicitamente contado de que há a suspeita de que tenham aditivos químicos, como a dioxina, usada para branquear produtos, colocados nas fibras do algodão, esse mesmo algodão que enfiamos dentro da gente.
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Voltando à apresentação da mudança que ocorrerá na vida de vocês, queríamos falar sobre o coletor menstrual. O primeiro copinho, ou coletor menstrual, foi criado em 1937, por Leona W. Chalmers, porém ela utilizou latéx, o que não gerou tanto sucesso na época, tendo em vista que o latéx tem grande probabilidade de gerar alergias.

 O novo coletor é um copinho produzido de silicone medicinal flexível, reutilizável e que, ao invés de sugar seu sangue, ele vai colhê-lo! Ok, pode soar estranho. Tenho certeza que tem gente que vai ler e pensar: eca, não quero ver meu sangue em um pote, lavar e depois usar de novo, que anti-higiênico. Anti-higiênico pra mim é ficar jogando absorvente no lixo várias vezes ao longo do dia. Ah, e só queria fazer uma observação de que o sangue só deixa um cheiro um tanto quanto desagradável quando entra em contato com o ar, logo você não ficará mais com aquele cheirinho durante todo o  período em que estiver menstruada caso use um copinho, que pode ficar no seu corpo por até 12 horas. Isso mesmo, 12 horas, sem danos ou desconfortos. Você o coloca e quando quiser tirar é só lavar e colocar de novo e, ao término do ciclo, é só fervê-lo e já está pronto para o uso novamente.

 




De acordo com a ginecologista Fernanda Araújo Pepicelli, do Hospital Bandeirantes, em São Paulo,  “a mulher brasileira tem uma dificuldade de se conhecer, de saber como é o corpo dela mesma. A maioria das mulheres nunca colocou um espelhinho para se olhar. O coletor não é invasivo, mas a mulher tende a não se conhecer direito; [não conhece] a cavidade vaginal, onde está o colo do útero, onde está a vagina. Uma boa parte das mulheres desconhecem como é seu próprio corpo; então, acho que isso é a maior dificuldade de as mulheres aceitarem, é um pouco cultural”.

As vantagens do uso desse coletor são enormes. Se pensamos só na gente, já tem o aprendizado de saber como seu corpo realmente é, de ter que se conhecer melhor para poder colocar e encaixar bem o potinho, e claro, provavelmente você vai perceber que sangra muito menos do que imagina. Ao utilizar absorventes, o sangue se espalha, o absorvente interno incha, e com isso achamos que estamos tendo quase uma hemorragia. Também vai ter a incrível vantagem de não ter mais nada para desequilibrar seu Ph vaginal! Sem cheirinhos chatos, sem alergia ao absorvente, sem assaduras, sem problemas para fazer exercícios, sem problemas para ficar de biquíni, sem vazamentos, sem preocupações com a troca constante ou com o esquecimento do absorvente, etc etc etc.

Além disso há a incrível vantagem ambiental. Segundo dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – ABIHPEC – o consumo de absorventes higiênicos fica em torno de 4 bilhões de unidades. “Ao fim de sua vida fértil, uma mulher poderá ter utilizado mais de dez mil unidades de absorventes higiênicos. Eles terminam despejados em “lixões” e, como não são biodegradáveis, demoram em média cem anos para se decompor na natureza.”
Não só em questões ambientais, esse copinho ainda está trazendo mudanças sociais, como por exemplo as mudanças que está causando na vida de meninas na África (veja aqui).



Apesar de ser um material seguro, o copinho não é regulamentado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por e-mail, a Anvisa informou que “coletores menstruais não são produtos regulamentados, nem como Produto para Saúde (diafragmas têm registros) e nem como Cosméticos (absorventes íntimos são regulados, mas isentos de registro)”; ou seja, dessa forma, a agência “não dispõe nas áreas técnicas de informações relativas à qualidade e eficácia desses produtos”. Com isso, caso tenha interesse de comprar, é só pesquisar na internet, no Brasil é possível encontrar algumas marcas mais conhecidas, como InCiclo, Holycup, Miss, Lunnette, entre outras, e que possuem representantes em vários lugares, logo você pode optar em comprar pela internet ou com algum representante, e há também grupos em redes sociais, como o Facebook, onde você pode encontrar pessoas da sua cidade que vendem. Ele custa em torno de R$75,00, mas é um ótimo custo x benefício, afinal, se higienizado de forma correta, ele pode durar de 5 a 10 anos. Tudo é uma questão de adaptação, de fazer o mínimo esforço para perceber que sangue não é esse caos todo que imaginamos. “Guarde seu nojinho para coisas mais importantes”.


Segue abaixo o link de um vídeo rapidinho de Jout Jout que trata desse lindo copinho: https://www.youtube.com/watch?v=ZcsgqmSNXXA


Como utilizar esse potinho mágico? Basta ir com calma, com jeitinho.. que vai!


                                                                                                             Texto de Luiza Torrezani.



Bibliografia

FERREIRA, Silvia Lúcia. A construção científica do Conhecimento acerca da menstruação. Trabalho apresentado. Grupo de Estudos sobre Relações de Gênero e Condição Feminina, NEIM/UFBA, Salvador, 1994.

NATANSOHN, Graciela  – O corpo feminino como objeto médico e “mediático” – Rev. Estud. Fem. vol.13 no.2 Florianópolis May/Aug. 2005 – Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2005000200004&script=sci_arttext&gt;

SARDENBERG, Cecília. De sangrias, tabus e poderes: a menstruação numa perspectiva sócio-antropológica. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro, CIEC/ECO/UFRJ, v. 2, n. 2, 1994. p. 314-344.

OWEN, Laura. Seu sangue é ouro: Resgatando o poder da menstruação. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994.

INMETRO. Informações ao consumidor: absorventes higiênicos. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/absorventes.asp> Acesso em 05/11/2015 às 22:30

ABSORVENTES femininos causam problema ambiental. Disponível em: <http://noticias.ambientebrasil.com.br/exclusivas/2008/10/27/41560-exclusivo-absorventes-femininos-causam-problema-ambiental-ja-combatido-por-alternativas-no-mercado-brasileiro.html>  Acesso em 05/11/2015 às 22:50.

INCICLO. Disponível em:<http://www.inciclo.com.br/ > Acesso em 06/11/2015 às 18:20.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Por Nina Lavezzo de Carvalho


"É uma coisa muito recorrente, mas geralmente você não sabe que você está num relacionamento abusivo. Uma parte de você sabe, mas você meio que não sabe ao mesmo tempo." (JOUTJOUT PRAZER, 2015). Começo esse texto citando a famosa diva dos vlogs atuais, JoutJout Prazer, e  vou fazer o mesmo adendo que ela faz em seu vídeo NÃO TIRA O BATOM VERMELHO (do qual retirei a citação acima): um relacionamento abusivo não necessariamente acontece entre homens e mulheres, pode acontecer entre casais homo e em outros tipos de relacionamento que envolvam mais que duas pessoas. Além disso, um relacionamento abusivo também não necessariamente é uma situação de opressão do homem sobre a mulher. Porém, vamos focar aqui nos casais hétero com relacionamentos abusivos em que o homem é violento, no sentido amplo, para com a mulher. O motivo para isso é simples: se "Em todo mundo, pelo menos uma em cada três mulheres já foi espancada, coagida ao sexo ou sofreu alguma outra forma de abuso durante a vida. O agressor é, geralmente, um" homem, "membro de sua própria família" (DAY, TELLES, ZORATTO, AZAMBUJA, MACHADO, SILVEIRA, DEBIAGGI, REIS, CARDOSO & BLANK, 2003), precisamos falar sobre relacionamentos abusivos.

NÃO TIRA O BATOM VERMELHO! de JoutJout

Baseada no texto de Shanana Rasool, minha intenção é falar um pouco sobre o que envolvem os relacionamentos abusivos e, principalmente, responder à pergunta: por que tantas mulheres têm dificuldade de sair desse tipo de relacionamento? Você provavelmente já sabe alguns motivos, principalmente se já passou por essa situação (como a maioria de nós, minas), mas aí estão mais alguns para entendermos como o machismo trabalha até mesmo nos nossos relacionamentos íntimos.
domingo, 18 de outubro de 2015
Por Rafael Libaneo

Já faz um tempo que as drags queens vem tomando um espaço cada vez maior no quotidiano brasileiro. Desde que o canal de filmes online Netflix disponibilizou as temporadas de RuPaul’s Drag Race, elas vem tendo cada vez mais visibilidade. Mas o que são as Drag Queens? Calma, vou explicar!

 
(RuPaul)
É muito complexo colocar as drag queens como expressão de gênero, até porque elas podem não, diretamente, expressar um gênero, e sim ser uma expressão artística. Um homem hétero que se veste de mulher, ou uma mulher hétero que se veste de homem, ou um gay que se veste de mulher, ou uma lésbica que se veste de homem e assim vai. Complexo, certo? Bastante, mas vamo lá que vai dar tudo certo! 

A palavra Drag nos leva ao antigo teatro shakesperiano, onde somente homens podiam ser atores, inclusive quando o personagem era uma mulher. Os homens se vestiam de mulher e interpretavam assim os seus respectivos papeis. Logo, drag quer dizer Dressed as Girl, ou, vestido como garota. 

(Chaz Bono)
Muitas pessoas tendem a confundir travestis, drags e transsexuais, então cola comigo que eu vou tentar deixar tudo isso bem claro.
Pra começar, vamos falar das travestis e transsexuais. Travestis tem a expressão de gênero feminina logo, “A” travesti é o jeito correto de se falar. “O” travesti é ofensivo e não deve ser usado! Travesti pode ser aquela pessoa que se identifica como mulher, sente uma certa necessidade de alteração física, mas não sente necessariamente vontade de mudar o seu órgão sexual. A diferença entre trans e travesti se encontra nesse ponto; as transsexuais são aquelas pessoas que sentem a necessidade de, além do tratamento hormonal, algumas cirurgias para a mudança no corpo, como por exemplo uma cirurgia facial, sentem a necessidade de fazer a cirurgia de resignação sexual, ou seja, a mudança do seu sexo. MAS RAFAEL E AS DRAGS?! 
Como eu disse no início, as drags não são necessariamente uma expressão de gênero mas elas sofrem com todo o preconceito e estigma colocado sobre elas. O preconceito é grande, principalmente porque a imagem que se vê é a de um homem vestido de mulher e, para todos aqueles que acham isso incorreto, as colocam como abomináveis, estranhas e por fim, acabam atacando, criando mais um grupo de vítimas do preconceito da nossa sociedade. É difícil estabelecer um número exato de drags que sofrem com o preconceito pois poucas tem coragem de ir até uma delegacia relatar o ocorrido, primeiro por medo do que lhes pode acontecer e em segundo lugar, pela vergonha de ir a uma delegacia onde ela provavelmente vai ser ridicularizada. Você deve estar se perguntado por que eu estou me referindo às drags como “elas”. Bom, como eu ja disse, drags não são expressão de gênero, mas a sua grande maioria, por fazer uma personificação feminina, gosta de ser chamada pelo sexo em que ela se encontra no momento, logo, fique atento e não cometa nenhuma gafe quando se dirigir a uma delas.
A quarta e última parte do livro, "Identity as Improvisation", de Rusty Barrett, Anna Lívia, Mary Bucholtz, Colleen Cotter e Marjorie Goodwin, traz à tona os novos arranjos sociais que providenciam os significados para construir novas identidades. Identidade, ao invés de uma instância determinada, é algo construído e reificado continuamente. É importante ter em mente que a linguagem não é a única formadora de identidades, mas sistemas inteiros de atividades. As drag queens, por exemplo, ao se manifestarem, podem estar celebrando a dissolução das categorias de gênero. Sua linguagem é ambivalente, crítica e, às vezes, raivosa. Vários estilos indexicalizam uma identidade múltipla e política, que protesta contra a homofobia, racismo e todos os preconceitos contra os/as que não se enquadram na ‘normalidade’. 
Ao passo que algumas feministas condenam a performance das drag queens como misógena, teóricas defendem que elas tratam da subversão ou inversão de questões de gênero tradicionais. Teorias queer, também chamadas de teorias feministas pós-estruturalistas, glorificam a drag como uma força desconstrutiva altamente política, trabalhando para minar questões de gênero. Segundo essa teoria, as drags não debocham das mulheres, mas se vêem também lutando contra opressões de gênero, o que, por si, mereceria apoio das feministas e não desdém. Claro que não estamos, como em nenhuma outra parte, falando de identidades monolíticas, e por isso não podemos atribuir características unidimensionais às drags. Elas não são inerentemente subversivas ou misógenas. Há que se lembrar que as pessoas têm um "repertório de identidades" e que, em dado momento, é pinçada uma entre várias outras.”
Um ponto que eu considero extremamente importante a que deve ser levando em conta e que deve SIM ser problematizado, é a marginalização de drags, trans e travestis.
VAMOS TODOS DIZER NÃO AO PRECONCEITO! 

SHANTAY YOU STAY

sábado, 17 de outubro de 2015

Texto de Nina Lavezzo de Carvalho.


!!!SPOILER ALERT!!!!
[Esse texto é um review - sob a perspectiva feminista - do filme Gone Girl (Garota Exemplar, em português), de David Fincher, adaptação do best-seller de Gillian Flynn, publicado em 2012. Então, migx, se você não assistiu ou leu o livro, tá na hora hein? Baixe, alugue, procure na TV, enfim, assista e depois leia o texto!]

Quem acompanha o Inclusive já está sabendo da coluna literária da Bruna, que começou mês passado e está maravilhosa [aqui e aqui]! Bem, essa inspiração foi o bastante para que eu quisesse escrever sobre cinema também. Talvez não de forma tão regular quanto uma coluna, mas, depois desse final de semana, não restaram dúvidas. O que houve no final de semana?! Bem, finalmente assisti Garota Exemplar. E, acreditem, é um soco no estômago.


sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Por Bruna Corrêa



Recentemente, uma amiga querida minha me ligou e começou a contar de maneira muito revoltada sobre uma constante que percebia acontecer na atual televisão brasileira – o hábito dos programas em colocar quadros de “transformações”.  Funciona assim: os produtores escolhem mulheres com a aparência “desleixada” e as arrumam. O motivo de sua consternação se derivou do fato de a maioria destes programas escolherem apenas mulheres para a realização da “transformação”. Afinal, questionou-se, por que somente mulheres devem passar por tal processo? Somente a beleza feminina necessita de reparos e é, por acaso, característica intrínseca às mulheres ficarem “desleixadas” ou serem afetadas pelo tempo?
Por Luiza Torrezani Todo domingo é a mesma coisa, a família reúne e lá vem o interrogatório para minha prima mais velha, de uns 28 anos. "Você nessa idade e não tem nem namorado, quando vai engravidar?" "Você está envelhecendo, já está passando da hora, hein?"  E se o único filho que ela quiser ter for um gato ou cachorro, qual o problema?

A gente ri, brinca e depois esquece. Mas isso não é só uma brincadeira. 
Com o estilo de vida que temos hoje mudaram-se as prioridades, mudaram a disponibilidade, mudaram as perspectivas. 
Ser mãe não é mais uma atividade inquestionável, como era no tempo de nossas avós. Ser mãe é uma opção, e não uma obrigação. Com o passar dos anos e uma maior conscientização do empoderamento das mulheres, elas passaram a ter mais domínio dos seus corpos, passando a perceber que fazemos dele o que quisermos, afinal, ele é nosso. No texto O Empoderamento Feminino na Extensão, uma Proposta de Promoção à Saúde,  em que se configura o “empoderamento, em Promoção da Saúde, segundo Teixeira (2002), como “um processo que ajuda as pessoas a afirmar seu controle sobre os fatores que afetam a sua saúde” (apud Airhihenbuwa, p. 345). 

Por Bárbara Martins



Ilustração: Vitor Teixeira/ Retirada do site

Muitos fatos que vêm acontecendo atualmente me fazem crer que as pessoas estão opinando sobre o feminismo sem saber realmente do que o assunto trata, e pra opinar sobre alguma coisa, people, é importante conhecer e entender do que você está falando. Muita gente acha que se você é a favor de uma coisa, necessariamente é contra outra, e nesse sentido dizem que não são feministas, mas são a favor do tratamento igualitário e os mesmos direitos exercidos por ambos os gêneros. Opa, tem alguma coisa errada nessa afirmação. Dizer que não é feminista mas que acha que todos devem ter os mesmos direitos é falar que não é feminista, mas é feminista. Feminismo é a luta por direitos iguais entre homens e mulheres. Feminismo não prega ódio contra a população masculina e muito menos é o contrário de machismo. Feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. O feminismo está relacionado com a liberdade. 
Por Rafael Libaneo

O Brasil é um país de extremos e a gente sabe disso. Temos uma parte ínfima de população que detém a grande parte da riqueza enquanto uma outra aparte da população não tem nem onde morar. 
Já tem um tempo, escrevi sobre a participação feminina na política aqui no Brasil e, por mais que exista uma lei de incentivo ao aumento do número de mulheres presentes na nossa política, o número ainda é reduzido. 
Em 2014, com o recém chegado governo sueco, o ministério das relações exteriores ficou na responsabilidade de Margot Wallström, que não pensou duas vezes em responder que a política exterior seria feminista. A resposta causou um certo desconforto nos liberais e em outras camadas da população que nao entenderem muito bem o que a ministra quis dizer. 
Margot explicou que essa política feminista “Não é só um assunto de igualdade de gênero, mas também de desenvolvimento humano e de segurança. É uma maneira de alcançar sociedades melhores e mais sustentáveis”. Quando analisamos políticas externas nos outros países, é possível perceber que a agenda não se modifica e que assuntos de interesses machistas são sempre colocados em primeiro lugar. São poucas as vezes em que políticas de inclusão são tidas como importantes para a agenda internacional.
As relações internacionais podem ser vista de outro mudo com essa nova tomada de decisão; o ponto central sueca são as negociações de paz. Esse projeto se baseia, como a própria ministra diz, em três erres: respeito pelos direitos, representação e  recursos. 
“Respeito pelos direitos humanos porque, segundo o diagnóstico do governo sueco, os direitos das mulheres têm sido tratados como um tema à parte dos direitos humanos e, muitas vezes, ficam excluídos das políticas neste âmbito.” 
Segundo Wallström, “os direitos humanos são os direitos da mulher”. 
“O segundo eixo tem a ver com melhorar a representação feminina em todos os âmbitos, desde a governabilidade até as conversas de paz, passando pela economia e pelas instituições fundamentais.
Esta é uma condição "sine qua non" para alcançar igualdade de gênero. "Só por meio da participação ativa em todos os níveis de tomada de decisão é que será possível transformar as agendas", explicou Wallström.
O último eixo é o de recursos e busca aumentar e redirecionar os recursos para objetivos de gênero. Isso requer um compromisso político, pressupostos especiais e a flexibilidade de se obter mais dinheiro para esses objetivos.
Uma outra forma de se olhar as políticas externas lideradas por mulheres, são os governos liderados por mulheres; Brasil, Argentina, Alemanha, Chile etc. Principalmente no Cone-Sul, a participação feminina tem aumentado, não so no alto escalão da politica, mas nos coletivos de base.
“Sabemos que o papel das mulheres no mundo e em particular nos países do chamado Sul Global, tem mudado de forma significativa nas últimas décadas, especialmente em relação à inserção crescente das mulheres no mundo do trabalho e nos espaços de poder. O avanço da industrialização, em particular com a globalização, transformou a estrutura produtiva e deu continuidade ao processo de urbanização, o que junto com a queda das taxas de fecundidade que chegou a muitos dos países menos desenvolvidos, proporcionaram um aumento das possibilidades das mulheres encontrarem postos de trabalho na sociedade. A sociedade urbano-industrial provocou uma mudança em todas as classes sociais, no mundo todo.”

Cabe a nos o foco nas políticas feministas para a total inclusão de todos na política e na vida participativa coletiva, seja para a melhoria como para uma renovação da forma de se pensar. Esses projetos inclusivos dos governos acaba atraindo cada vez mais, jovens que anteriormente não tinham interesse algum por política, mas agora conseguem se ver representados de alguma forma.



FONTE:

SUÉCIA aposta em política externa feminina:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150624_politica_exterior_feminista_suecia_rm  acessado em 13 de Outubro de 2015 às 14:37

AS MULHERES, o desenvolvimento sustentável e os BRICS

http://brasilnomundo.org.br/analises-e-opiniao/as-mulheres-o-desenvolvimento-sustentavel-e-os-brics/#.ViFEfodB40s   acessado em 13 de Outubro de 2015 as 15:15

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